quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Até nunca

Nas passarelas
do som noturno
Fez-se o grito
Firme e agudo
A percorrer
meus tímpanos.

Do cálcio dos
teus dentes
Fez-se a mordida
Cruel e latente
A estampar
a pele ardida.

...E fora a dor
sem despedida
rondar a casa
de outra gente.


O adeus em construção

Tramando ruas
chama-nos vazia
a casa.
Paredes ganham
tijolos,
Janelas se fecham
em abraços.

E do reboco
dos ossos
brotam novas
cerâmicas
e porcelanato.

E felizes dormem
grandes animais
de camurça e árvores
enceradas,
frutificam fortes
pés de almofadas.

Tapetes se fazem
estepes, e poltronas
-ilhas afastadas-.

Mas ainda assim
o que se faz presente
é a sua falta.

Vertigem

Existe uma fragância
mestiça nos ares
dos seus céus.

Corrompendo estrelas
e caçando luas
você nasce e morre
mais uma vez.

E vai sangrando
suas memórias
pelas curvas do universo.

E vai cantando
o teu pavor
junto ao sol submerso.

E simplesmente
se apaga
no relâmpago sonífero
dos meus dias.